Atendimento à Brasileira/ Texto de Reed Elliot Nelson /renelson@siu.edu/www.c-vat.com/
Princípios de Atendimento do Feirante
O dono está perto, senão envolvido diretamente.
O feirante vem até o cliente.
O feirante sabe que o dia é curto, mas os anos são longos
O feirante vê a concorrência de perto.
Adoro feira livre. Gosto do seu movimento, do seu charme, da sua economia, da sua conveniência e, especialmente (porque não sou bobo), dos pastéis. Gosto de ver os preços despencando no decorrer do dia e de ver aquela correria para acabar com a mercadoria antes das barracas serem desmontadas. E o interessante é que essa instituição bem latina permanece robusta face às incursões bilionárias das multinacionais como Carrefour e Wal Mart na economia brasileira. As feiras livres vão muito bem, obrigado.
Noto que o atendimento nas feiras costuma ser bom, senão excelente. Como exemplo, outro sábado estava eu na banca dum pasteleiro com um sacolão de feira lotado que, distraidamente, coloquei sobre a banqueta de plástico e, quando virei para amarrar o cadarço do sapato, capotou o sacolão e lá se foram vários tomates, entre outras compras, rolando rua abaixo, rumo ao próximo bueiro. Enquanto eu xingava alto em inglês, a pasteleira foi correndo catar os meus tesouros perdidos e, bravamente, conseguiu recuperar mais produtos que eu, devolvendo-os com cuidado de volta ao meu sacolão. E isso não foi um acontecimento isolado. O pessoal da feira te conhece, te corteja e te dá uma colher de chá de uma forma rara em muitas empresas.
Há feirantes amuados, claro, mais são poucos e esse pouco se transforma em muito, muito pouco, quando em comparação com o número impressionante, por exemplo, de indispostos caixas ou garçons, ou “servidores” públicos. E, na tentativa de analisar o porquê, acho que descobri alguns princípios do bom atendimento que se aplicam à maioria das situações na qual se lida com o público:
1.
O dono está perto, senão envolvido diretamente;
2.
O feirante vem até o cliente;
3.
O feirante sabe que o dia está curto, mas os anos são longos;
4.
O feirante vê a concorrência de perto.
Vamos considerar esses conceitos um a um:
O dono está perto.
Raras são as bancas onde o dono não está fisicamente presente e se trabalha com subordinados nunca está longe. Por isto, a cúpula da empresa nunca fica isolada do mercado.
O feirante vem até o cliente.
O feirante vai, literalmente, até aonde mora o seu cliente. Graças a isso, ele vê de perto os diferentes bairros onde atua, percebe as diferenças e similaridades de poder aquisitivo, nível e composição social e gostos de cada bairro que atende.